Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

6.4.09

capítulo 17

O dia estava límpido, o céu com poucas nuvens e muito sol. Uma temperatura amena, ideal para um descanso no parque. Fred estava sentado em um dos bancos colocados estrategicamente junto a àrvores frondosas, permitindo que se aproveitasse um dia ensolarado sem no entanto ficar muito exposto a ele.

O dia estava propício a caminhadas, de modo que a todo momento pessoas passavam em frente ao seu banco, correndo ou com crianças em carrinhos de bebê. Uma ocasião ideal para reflexão. Fred estava um tanto perturbado. Estava confuso com a existência de Samantha e de Verônica. Ora via-se vivendo com Verônica e em outros momentos tinha certeza de estar casado com Samantha. Chegava a pensar que estava sonhando.

- Não, não é possivel, pensou ele. Samantha era seu grande desejo e Verônica sua realidade.

- Mas... aquele encontro com Samantha, no que deu mesmo? Pôs-se pensativo. Recordava-se apenas do bilhete que ela havia deixado naquele café. Com certeza deveria ter ligado para ela, pois a intenção só podia ter sido essa. No entanto o passo seguinte não lhe vinha à cabeça. Também não importava. Sabia que Verônica era real, lembrava-se de muitos detalhes sobre o relacionamento com ela.

Nesse momento ele vê uma menina com um pequeno triciclo fazer a curva e colocar-se em direção a ele. Firmou a vista e reconheceu logo. Era Andréa, linda e sorridente, pedalando e acenando para ele. Não tardou e atrás apareceu uma bicicleta com outra menina e percebeu tratar-se de Sônia, que abriu um sorriso ao vê-lo.

Fred levantou-se e foi em direção às duas de braços abertos como se fosse agarrá-las e logo Andréa fez a curva, fingindo tentar fugir de suas garras.

- “Você viu mamãe por ai? “ - perguntou Sônia.

- “Sua mãe? “ perguntou ele em seguida, dando um tempo para não fazer confusão. Por um momento pensou em Samantha. Só faltava falar o nome errado.

- Sua mãe deve estar passeando por ai, está um dia lindo não está?

- Sim, mas nós já demos várias voltas e não vimos mamãe por aqui, não é Dé?

Andréa acenou lenta e positivamente com a cabeça.

- Bem, vamos andando até o carro e aí decidimos o que fazer, terminou Fred, colocando-se todos a caminho da entrada do parque.

Andréa ia à frente, pedalando com mais velocidade como a competir com sua irmã, que não percebia a intenção e ia calmamente pouco à frente de Fred. Este admirava as duas, tão lindas meninas, cheias de vida. Começou a imaginar o futuro que caberia a cada uma delas. Andréa parecia ter mais jeito com coisas humanas enquanto Sônia deveria se prestar mais às exatas, cálculos, uma engenheira talvez. À mais nova um cargo de medicina, veterinária, quem sabe até algo ligado às artes.

Ao passar ao lado de uma grande área gramada, avistou pessoas igualmente vestidas , ao que parecia, deveria se tratar de um coral. Diminuiu os passos, atento ao movimento daquele grupo. Parou e ficou a observar. Parecia que ia acontecer algum evento musical mesmo, pois um pouco mais distante percebeu um outro grupo afinando violinos. Mais atrás, alguns com tambores e pratos. Sempre gostou de música, gostaria de ter pertencido a alguma banda, seja lá qual fosse o estilo ou ritmo. Parecia ser muito agradável tocar assim, num grupo. Nesse momento, as pessoas do coral iniciaram a subida ao coreto e os instrumentistas logo apressaram-se a fazer o mesmo.

Nisso, Fred percebeu sua distração e olhou em volta à procura das meninas, que já não estavam mais à sua vista. Decerto já deviam ter chegado até o portão. Apressou-se, olhando atentamente em cada ramificação. Elas podiam ter tomado qualquer caminho. Acreditava que não conheciam exatamente o percurso de saida.

Alguns minutos depois estava visualizando o portão a menos de vinte metros e, por felicidade, lá estavam as duas lhe esperando. Foi apenas um susto e apesar de ter ouvido alguém lhe chamando, não eram elas, pois estavam bem tranquilas, talvez já conhecendo o pai que tinham.

- “ E então papai, não achou mamãe por ai?” perguntou Sônia em primeiro lugar.

- “ Não, queridas, mas não tem problema. Se não estiver nos esperando no carro, ligo para ela e já resolvemos isso logo”. Vamos até lá.

Ao chegar no estacionamento, procurou sua caminhonete cinza e no entanto todos pareciam cinzas, uns mais claros beirando a prata e outros quase negros. Enquanto colocava a mão à testa, tentando localizá-lo, Sônia postou-se à sua frente.

- “Está para o lado de lá, papai, vamos!” - pondo-se a pedalar naquela direção, agora com Andréa atrás.

- Fred pensou em chamá-la de volta, mas enfim, parecia estar tão certa da posição, que resolveu segui-la.

Passadas umas travessas e algumas curvas, Sônia estancou ao lado do carro e ficou a esperar o pai que se aproximava, junto com sua irmã.

- “Não é esse, filha, está maluca?” - abrindo um sorriso não muito convincente.

- “Claro que é, vai, coloca a sua chave ai... é este sim!” , completou a menina.

- “Não vou fazer isso. Se o dono me pega, posso me meter em apuros. Vamos procurar o carro. Você sabe que é a caminhonete cinza”.

- “Mas pai, é este sim! A Nana está certa, vai coloca logo a chave que eu estou com sede”, reclamou Andréa.

Fred olhou para os lados para se certificar de que não vinha vindo ninguém e resolveu colocar a chave, só para convencê-las de que não era realmente aquele, o carro.

- “Tudo bem, então vamos abrir” - pressionando a chave contra o orifício da porta do motorista”.

Para o espanto de Fred, a chave entrou sem dificuldade. Olhou de novo para os lados e virou a chave, fazendo aquele barulho característico de destravar.

- “viu? não falei?” esbravejou Sônia com as mãos à cintura.

Enquanto colocava as bicicletas no suporte apropriado, atrás do carro, as meninas já abriam a outra porta e se acomodavam no banco de trás. Fred parou de amarrar as bicicletas e, olhando para aquele carro amarelo, ficou a imaginar o que estava acontecendo. Teria trocado de carro ou seria esse o de Verônica? Talvez ela tivesse vindo com as crianças nesse novo carro, para fazer surpresa, concluiu.

Terminada a amarração, sentou-se frente ao volante, bateu a porta, olhou para trás, as duas aguardando que pusesse o carro em movimento. Olhavam entre si, sorrindo de seu pai. Ele retribuiu com um outro, um tanto sem graça. Colocou a chave no contato, deu partida e seguiram para casa.