Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

9.3.09

Capítulo 16


A
luz já havia se apagado. Depois de alguns anúncios e trailers, estava começando o filme. Era um romance, como não poderia deixar de ser. Nada muito conhecido e na verdade nem era importante esse detalhe. Ideal que criasse um clima para aquilo que os dois se propunham: ficarem juntos, braços dados, vivendo um bom momento de namoro.
Estavam ali, Fred e Samantha. Não era a primeira vez que iam ao cinema, mas em várias oportunidades, depois que se firmaram como namorados. No início, os dois saiam da sessão sem saberem contar um ao outro, qual o enredo do filme e riam demais com isso. Com o tempo, foram se acostumando à idéia de aproveitarem o cinema para o fim que lhe cabe, ou seja, ver realmente o filme e depois passarem bons momentos comentando os detalhes. Sempre escolheram filmes românticos. Poucas vezes algum de suspense, crime, policial, mas apenas para variar.
Hoje estavam assistindo a um romântico. Pelo menos Samantha estava bem atenta ao enredo. Não era o caso de Fred. Estava pensativo. Descobriu o quanto foi tímido e o tempo enorme que desperdiçou. Deveria ter investido muito mais cedo. Mas como tudo tem seu tempo, não foi de todo mal. Afinal estava ali, com seu amor, já há 8 meses.
Durante esse tempo de namoro, conversaram muito sobre o futuro, o que seria de cada um. Sabiam que alguma coisa poderia afastá-los, principalmente em se tratando de estudos. Samantha tinha planos de estudar medicina assim como Fred de ser engenheiro. Pensando assim, sabiam que as melhores faculdades não estavam em Miracema do Norte e sim na capital e essa distância seria um impecílio para o namoro. Sabiam no entanto, que um verdadeiro amor não iria acabar caso tivessem que se separar por esse motivo. Mas era cedo para pensar nisso. Gostaram de discutir esse assunto para estarem preparados, caso algo assim surgisse.
- Fred ! aconteceu alguma coisa? - perguntou Samantha ao vê-lo distraído, olhando para baixo enquanto pensava em todas essas coisas.
- Não, meu amor. Estava pensando naquilo que conversamos outro dia sobre termos que nos separar. Acho que vou sofrer muito se você ficar ausente muito tempo.
- Pssssiu! (uma repreensão vinda do banco de trás).
Os dois se entreolharam, tentaram segurar uma risada, tapando a boca com a mão. Samantha apertou-lhe a mão, como sinal para que deixasse para depois esse comentário. Voltaram a prestar atenção ao filme. Na verdade, somente Fred tentou acompanhar o que se passava na tela. Dessa vez foi Samantha que começou a pensar no que Fred havia lembrado. Uma separação daqui há alguns meses seria bem provável. Estavam no último ano e dali já teriam que decidir sobre a carreira que deveriam seguir.
Ficou imaginando como Fred se comportaria em sua ausência. Ele era bonito, charmoso. Provavelmente seria assediado em sua faculdade por uma dezena de moças. Será que ele teria tanto amor assim por ela a ponto de rejeitar todo tipo de cantada? imaginou com certa angústia.
- O que foi amor? - disse Fred ao vê-la de cabeça baixa, os olhos brilhando, quase lacrimejantes. Puxou seu rosto para sí, docemente pelo queixo.
- Nada não, meu lindo. Agora foi minha vez de pensar sobre aquilo de nos separarmos.
- Mas dá para vocês deixarem essa conversa para depois? por favor! (outra repreensão)
Visto que já não tinham mais interesse pelo filme e estavam a ponto de serem abordados pelo lanterninha (antigo fiscal que perambulava pelo cinema, quando alguém resolvia perturbar a ordem), levantaram-se e puseram-se em direção à saida.
Já na calçada, resolveram andar um pouco, de mãos dadas, a princípio sem conversarem. Estavam realmente preocupados pois os dois tinham intenção de frequentar faculdade e fatalmente teriam que ficar uns tempos distantes.
- Você aguentaria quanto tempo sem me ver? - disse Samantha com um ar mesclado de tristeza e sorriso, como se aquilo até chegasse a ser engraçado.
Fred entendeu e esboçou um sorriso triste.
- Eu te amo, Samantha. Ficarei o tempo que for necessário à sua espera. Não tenho intenção nenhuma de te abandonar ou te perder. Te juro.
Pararam de andar, ficaram um de frente para o outro, olhos nos olhos, e Fred lhe deu um pequeno beijo em seus lábios. Samantha baixou o rosto meio sem o que pensar e voltaram a andar.
Ela também o amava o suficiente para superar qualquer separação por motivo de estudos. Mas era difícil para ela ficar imaginando seu amor tão distante, à mercê de outras meninas. Acreditava no amor à primeira vista e tudo poderia acontecer. Já ao lado dele, poderia mantê-lo longe dessas possibilidades. Não sabia mais o que pensar.
Chegaram ao ponto de ônibus onde Samantha pegaria um deles em direção à sua casa. Seus pais controlavam bem o horário de chegada. Ainda não conheciam Fred pessoalmente, mas ela já havia comentado que tinha um namorado. Ficou de levá-lo um dia para as apresentações de praxe. Ainda não tinha comentado sobre isso com Fred. Esperava que ele tomasse iniciativa de conhecer seus pais. Isso provaria seu real interesse por ela. Sabia também de sua timidez, que embora tivesse superado a ponto de conquistá-la, ainda teria que reunir novas forças para encarar seus futuros sogros.
Ficaram ali, aguardando a chegada da condução. Pouco conversaram, lado a lado, enquanto suas mãos apertavam-se num sinal claro de ansiosidade e dúvida.
Numa sensação de medo, ambos se abraçaram apertados e por alguns minutos ficaram assim. Podiam sentir seus corações trocando batidas, tamanha proximidade.
Chegado o ônibus, olharam-se pela última vez nesse dia, um pequeno beijo e Samantha subiu os degraus, junto com outros tantos passageiros. Fred tentou vê-la lá dentro em meio a tanta gente em pé, mas não foi possível.
Respirou profundamente e seguiu a pé para a pensão, que ficava a algumas quadras dali. Às vezes ia também de ônibus mas hoje ele precisava pensar e a melhor forma de pensar é caminhando. O vento, os passos, o silêncio da noite, tudo parecia ajudar a colocar as idéias no lugar. Não havia motivo para pânico. Ainda faltavam uns meses para a formatura e até lá teriam tempo para pensar em coisas desse tipo.
Já à porta da pensão, tudo estava apagado. Eram poucos que dormiam alí, fora a proprietária e as duas moças negras que serviam as refeições.
Entrou em seu quarto e jogou-se na cama, olhar perdido para o teto. Aquelas luzes verde e vermelha piscavam alternadamente, como sempre. Nada parecia mudar. Acendeu a luz e olhou para o criado-mudo ao seu lado. Ali estava o porta-retratos que Samantha havia lhe dado há dois meses. Linda como sempre, os cabelos soltos, longos, vibrando levemente com algum vento que havia soprado naquele momento da foto.
Tentou imaginar como seria assediada em sua faculdade. Tão linda, não seriam poucos os rapazes que fariam todo tipo de proposta ou gracejo. Até que ponto seu amor por ele seria suficiente para manter-se longe desses gaviões? - pensou com um ar totalmente preocupado.
Levantou-se, pegou sua toalha e foi para um longo banho, capaz de tirar de sua mente tantos pensamentos confusos. Também não poderia ficar matutando coisas, pois tinha prova de matemática pela manhã. Precisava de um sono repousante. Na manhã seguinte certamente conversariam mais sobre isso tudo.