Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

21.4.06

Capítulo 015


Era uma avicultura. Por todos os lados, centenas de gaiolas com os mais diversos tipos de pássaros. Uns ornamentais, que não davam um pio mas serviam para enfeitar ambientes, outros não tão belos, mas que cantavam como poucos. Em outra prateleira, um verdadeiro arsenal de alimentos para pássaros. Todo tipo de grãos e sementes que se poderia imaginar. Mais ao lado, uma grande quantidade de ninhos, dos mais diversos formatos e tamanhos. Enfim, tudo o que Fred poderia imaginar ter para iniciar sua criação de canários.
O som dentro da loja era infernal. Parece que todos os pássaros cantavam ao mesmo tempo, sendo impossível de se saber que tipo de pássaro estava emitindo o som, tamanha mistura de trilados. Mais difícil ainda entender o que falava a pessoa para quem Fred pedia informações.
- Não entendi, senhor! disse o vendedor, fazendo uma concha com a mão junto à orelha.
- Eu estou pretendendo criar canários. Que tipo de canários vocês tem aqui?
- O senhor deseja lavar os seus canários? fazendo concha agora com as duas mãos.
- Criar! Oh santo Deus! Criar! - e apontou para um dos ninhos da prateleira.
- Entendi ! criar canários. Sim, o senhor pode criar canários. Basta colocar um ninho lá dentro, um pouco de palha na gaiola e eles vão preparar o resto.
- Eu sei que precisa de um ninho. Quero saber que tipo de canários vocês tem. Tipo! - disse alto ao ouvido do rapaz da loja.
O vendedor fez sinal de positivo e com o braço fez um gesto para Fred o acompanhar mais ao fundo da loja. Seria melhor apontar do que ficar gritando e perder tempo, sem que conseguissem se comunicar como desejavam.
Parados de frente para uma parede, o vendedor apontava para várias gaiolas, com vários tipos de canários. Eram das cores mais variadas. Fred se encantou com os brancos, totalmente brancos. Sempre desejou apurar uma raça, uma coisa limpa, sem mistura.
- Vou levar aqueles brancos, apontou com o dedo para uma gaiola bem ao alto.
- Custa quarenta reais o casal, respondeu o rapaz.
Fred o olhou entendendo que não tinha ouvido direito.
- Tudo bem. Vou levar. Levar! - gritou ao ouvido, novamente.
- Vou apanhar uma escada. O senhor me aguarde um instante - dirigindo-se para a frente da loja.
“Onde foi esse rapaz... o que ele foi buscar?”
Subitamente a gritaria dos pássaros ficou menor. Parece que deram uma trégua a Fred, para que admirasse as coisas da loja. Teria que comprar vários objetos, bebedouros, porta-sementes, uns balanços. Foi caminhando, verificando tudo que havia nas prateleiras.
Nisso, encontrou uma gaiola separada das demais, onde havia um pequeno ninho, algumas palhas enroladas, e vários ovinhos. Do outro lado, um casal de canários amarelos num mesmo balanço. Pareciam felizes. Iam ser pais de vários canarinhos. Fred ficou a olhar os ovos e imaginar quanto tempo levaria para que começassem a se quebrar, quando um deles se mexeu, visivelmente. Fred chegou mais perto, firmou a vista. Ele tinha visto algo se mexer. Tinha certeza. Novamente uma nova sacudidela. Fred se emocionou. Estava prestes a ver o nascimento de um canário, tal como desejava fazer em sua casa. Ficou em silêncio, quase como uma estátua. Um outro ovo também vibrou.
- Parece que chegou o dia de vocês serem pais - disse ao casal.
Voltou a olhar para os ovos e um deles apresentava um pequeno furo. De repente, surgiu dali, um pequeno bico, como a picotar todo o ovo, enquanto que o outro ovo trincava e balançava mais intensamente.
Fred olhou para os lados para comentar com alguém sobre aquele momento, mas não havia ninguém na loja. Nem sequer o vendedor tinha voltado, nem sabia de onde.
“Será que o vendedor desistiu de me atender?” - pensou um pouco e logo voltou a atenção ao ninho.
Já havia um canário totalmente fora do ovo e outros três estavam bicados, se abrindo. Fred chegou a esfregar as mãos de contentamento. Nunca havia presenciado um nascimento em série, como estava acontecendo ali.
Nesse momento Fred deu um passo para trás. Agora que ele tinha reparado uma coisa muito estranha. Os filhotes que estavam nascendo, quatro a essa altura, tinham penas azuis. Era outra raça. Não eram canários, Fred conhecia-os muito bem. Olhou para a frente da loja com intenção de chamar o rapaz, mas nem sinal dele.
Ficou a pensar porque haveriam de ter colocado ovos de outra raça numa gaiola de canários.
“Seria só para chocarem os ovos e depois devolvê-los aos pais verdadeiros, que não tinham o mesmo dom de manterem os ovos aquecidos? ou teriam morrido por alguma doença e deixado os ovos ao destino? “ - pensou com um ar pensativo, franzindo as sobrancelhas.
Num surto violento, um dos canários atirou-se sobre um dos filhotes, dando-lhe uma série de bicadas.
Fred se apavorou. Não poderia deixar o filhote à mercê daquele canário desnaturado. Pensou em gritar para que o vendedor corresse em seu auxílio, mas o canto dos pássaros estava forte novamente e nem adiantaria perder tempo. Arregaçou a manga da camisa, e colocou a mão dentro da gaiola, tocando o canário dali. Mas era tarde demais. Alguma bicada fatal, tinha posto fim à vida do pobre filhote. Os outros estavam vivos, sem perceberem o que havia acontecido e sem noção do perigo que corriam.
- Tenho que tirar esses filhotes daqui, urgente - murmurou enquanto olhava nas prateleiras, se havia uma pequena gaiola vazia. Mas só haviam sacos de ração, sementes, ninhos. Não poderia usar um ninho sem uma gaiola. Eles sairiam e cairiam da prateleira. “Não!”.
Foi de prateleira em prateleira, outras estantes, mudou de corredor, mas parece que não haviam gaiolas disponíveis.
“Será que esse pessoal não vende gaiolas? “ - coçou a cabeça sem entender como isso seria possível. Um pouco à frente, viu um rapaz no balcão com a roupa da loja. Foi em sua direção e ao falar com ele, percebeu que não era o mesmo.
- Olha rapaz, tem uns filhotes que nasceram numa gaiola lá no fundo, onde há um casal de canários. Mas não nasceram canários. São de outra raça e um deles foi morto por um dos adultos. Você precisa tirá-los de lá ou vão morrer todos.
O vendedor falou alguma coisa ininteligível, enquanto preenchia uma papelada, parecendo não dar muita importância ao acontecido.
- Você me ouviu? cutucando seu ombro.
O rapaz acenou positivamente com a cabeça, embora não tomasse atitude alguma.
Fred impacientou-se, teve vontade de falar umas boas àquele incompetente e desumano funcionário, mas viu que seria perda de tempo. Primeiro porque ele não escutaria. Os pássaros todos gritavam, berravam, como se estivessem avisando do perigo que corriam os filhotes. Depois, que se demorasse muito até aquele infeliz completar o que estava fazendo, eles já estariam todos mortos.
Fred virou as costas e foi para o fundo da loja, na tentativa de salvá-los, fosse da maneira que fosse.
Eram tantas estantes que seria difícil descobrir onde havia achado a gaiola.
- Rações, sementes, ninhos... onde está? passei por aqui, me recordo desta marca de semente. - disse enquanto seguia mais à frente.
Foi nesse instante que ouviu uns piados muito fortes vindo logo dali à frente. Correu na direção, e o casal de canários estavam se bicando e mais um filhote morto. Haviam sobrado dois e mais um ovo sem abrir. Fred colocou rapidamente a mão dentro da gaiola no intuito de separar os dois adultos.
“Devem estar brigando por um deles estar atacando os filhotes e o outro tentando protegê-los.
Por um momento, os dois grandes ficaram quietos, pendurados de cabeça para baixo, no teto da gaiola.
“Melhor assim! fiquem aí, quietinhos! - ralhou com o casal. Pensou um pouco e resolveu que deveria tirar os filhotes vivos. Também o ovo que restou sem abrir. Vai que nasce e fatalmente será atacado até a morte.
De posse dos dois filhotes vivos e o ovo fechado, dirigiu-se à frente da loja, onde encontrou o mesmo sujeito mexendo naquela papelada.
- Olhe aqui, rapaz. Salvei estes dois e retirei este ovo que ainda não vingou. Tem dois filhotes que morreram com as bicadas dos adultos. Onde posso colocá-los em segurança? tem alguma gaiola?
Fred parece que perdia tempo. O rapaz olhava desesperadamente para aqueles papéis. Parecia ser a coisa de vida ou morte para ele, pouco se importando com o destino do que foi salvo por Fred.
- Se você não quer cuidar disto aqui, eu vou levar embora. Será que ninguém é responsável por coisa nenhuma nesta loja? - gritou ao ouvido do moço que agora somava freneticamente os papéis.
- Sim, sim! disse repentinamente o rapaz, olhando para Fred e em seguida voltou à soma.
- Tudo bem!. Fred abriu o grande bolso de seu paletó e ali cuidadosamente colocou os dois filhotes e o ovo. Voltou ao fundo da loja, examinou as prateleiras, e achou uma pequena gaiola. Apanhou-a e foi seguindo o corredor, onde encontrou um pequeno ninho. Colocou embaixo do braço e seguiu em frente onde havia comidas para pássaros. Encontrou um saquinho que dizia ser para filhotes e foi com os três produtos para a frente da loja, para tomada de preço.
- Quanto custam estas três coisas? me diga logo, por favor, que estou com pressa. Tenho filhotes mal acomodados em meu bolso.
- Sim ! pode sim, claro! disse o vendedor sem sequer olhar para Fred ou para os produtos.
- Entendi! disse Fred. É cortesia da casa. Muito obrigado! passem bem! - catando os produtos e saindo da loja. Iria iniciar sua criação. Pena não serem canários mas tinha uma boa história para começar.



Até quinta que vem !!



1 Comments:

Anonymous LuDaspeças said...

Sofri duplamente nesse capítulo.
1 - com o sofrimento dos filhotes e do Fred;
2 - com a política de mau atendimento em vendas, aplicada na essência.
Afff!!! Sem falar que minha curiosidade está me matando ... estou sem saber qual a raça filhotes. Azul... acaso é periquito??!! Agradeço se responder por e-mail ou no MSN -rsrs
Beijokas e trate de trabalahr nos próximos capítulo heim!!!!

23/4/06 14:44  

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