Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

6.4.06

Capítulo 013




Um novo dia. Fred abre os olhos e percebe que seu quarto está tremendamente claro. No entanto não reconhece os objetos. Poucos objetos. Vultos apenas, pois sua visão ainda está meio turva. Talvez por falta dos óculos, supôs. Da janela vinha uma luz intensa, o que o fez deduzir que ainda era dia, ou apenas um amanhecer radiante.
Pensou em levantar-se, ir buscar alguma coisa para comer, sentia um pouco de fome. Mas sentia também alguma indisposição. Resolveu esperar um pouco.
Olhou lentamente para os lados e não achou Verônica. Provavelmente foi fazer compras. Gostava de sair bem cedo e ir à feira. Preferia as verduras e legumes vendidas lá. Considerava os produtos mais frescos, saudáveis. Também comprava peixes. Invariavelmente havia peixe à mesa, pelo menos uma vez por semana. Dizia que fazia bem para a mente.
Fred olhou à sua frente, quase próximo ao teto e viu vultos coloridos em movimento. Sua vista ainda não se firmara e concluiu que fosse a tv ligada. Com som bem baixo, pois ouvia apenas uns murmúrios.
Resolveu dormir mais um pouco. Não se lembrava de ter nada importante para fazer mesmo. Quem sabe quando chegasse na hora do almoço, Verônica não estaria de volta, chamando-o para um daqueles pratos bem feitos que ela costumava sempre fazer.
Por um momento lembrou-se dos seus pássaros. No começo, quando trouxe para casa aqueles indefesos filhotes atacados pelos pais postiços. Pretendia começar uma criação de canários e acabou é com aqueles pássaros azuis. Recordou-se o quanto foi difícil que procriassem. Não eram pássaros de gaiola, uma raça que pouco cantava, mais decorativos mesmo. Uns trilados vez ou outra e só. Mas foi um bom começo, Fred aprendera a lidar com as aves, saber de seus gostos, suas necessidades e quando estava com bastante prática, vários filhotes azuis já haviam nascido, crescido e procriado também, voltou à uma loja para adquirir seus sonhados canários. Estava tão hábil com a criação, que logo começou a vender os canários, assim que atingiam a idade adulta. Não ganhava muito porque sua produção não era para fins lucrativos. Queria mesmo é ter com que se ocupar em sua aposentadoria. Sabia que se ficasse sentado em frente a uma tv, disparando o controle remoto, logo estaria doente. Então, o melhor a fazer seria ocupar sua mente e seu corpo com alguma coisa que lhe agradasse. Foi feliz na escolha, pois ainda lhe rendera uns bons trocos mensais.
Até mesmo Verônica, vendo a forma como Fred tornara-se ativo e feliz com seu novo empreendimento, resolveu entrar para um curso de pintura em tecido. Não tinha muita habilidade com artes. Na verdade, nenhuma. Mas era uma mulher perseverante, estudou com afinco as técnicas e após alguns meses de curso, já decorava suas toalhas de banho e de cozinha com flores e outros desenhos, com muita destreza. Empreendedora como sempre foi, passou de aluna para professora em pouco tempo, trazendo para casa muitas vizinhas e até de outros bairros, para aprenderem a arte no tecido. Foi o período mais feliz do casal. Chegava a noite e os dois recolhiam-se à cama, ambos de livros técnicos em punhos, comentando suas novas descobertas. Fred estava a estudar sobre outras raças, mais ornamentais e mais rendosas também. Via que seu trabalho poderia lhe render muito mais, se entrasse para a criação desse tipo de ave. Verônica, por sua vez, pensava em pintar panos de prato e colocar à venda num pequeno supermercado que havia ali perto. Seus donos eram velhos conhecidos do casal e se prontificaram a colocar as pinturas à venda. Realmente, as coisas iam indo muito bem nesse período.
Fred agora estava se preparando para virar de lado e tentar dormir novamente. Sua cabeça estava meio cansada , quando percebeu dois vultos do lado esquerdo do quarto. Pareciam sentados e conversando. Sua vista, no entanto, não o ajudava.
”Parece Sônia” - tentando firmar a vista. Sônia era muito parecida com Verônica. Tinham quase o mesmo peso e altura. Os cabelos de Sônia eram mais escuros e mais lisos, mas contra a luz ficava realmente difícil de reconhecer.
- Onde estão os meus óculos? - falou com certa dificuldade e com um sono que chegou de vez.
Deitou-se de lado, olhando ainda para aquelas duas pessoas. Ou não eram pessoas? estavam imóveis agora.
- “Minha vista está a me pregar uma peça!” - pensou, esboçando um sorriso tímido.
Olhou por mais alguns minutos aquelas sombras. A luz da janela incidia diretamente sobre seus olhos. Virou-se então para o outro lado, com certa dificuldade e preguiça.
Num instante, respirava alto, num sono profundo.




CAPÍTULO 14