Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

23.3.06

Capítulo 011




Fred estava dirigindo seu carro, imaginando o encontro como seria. Desta vez estava indo à loja de Verônica. Iria combinar um jantar, uma surpresa. Nada muito fino, dispendioso. Fred havia feito uma reforma em sua casa e não poderia ter gastos excessivos nos próximos meses até sua situação financeira normalizar. Talvez uma pizzaria ou uma churrascaria seria o ideal. Nas outras duas oportunidades, haviam sido no apartamento de Verônica, sempre com um jantar que ela mesma havia preparado. Desta vez Fred queria algo diferente, que ficasse na lembrança dos dois, como um dia especial, romântico. Talvez à luz de velas. Conhecia alguns restaurantes assim.
Chegando à rua da loja, enxergou o prédio logo à frente, a uma quadra. Tratou de arranjar uma vaga para estacionar, ali mesmo na rua, para não ocupar as dos possíveis clientes da loja. Caminhando a pé, logo adentrou à sala de recepção, apresentando-se à secretária como amigo de Verônica que rapidamente o reconheceu, pedindo-lhe que subisse, pois ela se encontrava no piso superior. Fred deu uma arrumada na gravata, no colarinho, apalpou os cabelos, tudo em ordem.
Havia uma pequena sala de espera que antecedia as demais salas desse piso superior. Fred preparava-se para contornar uma parede divisória e ir ao encontro de Verônica, quando ouviu sua voz. Parou um instante, de pé, tentando entender se estava a conversar com um cliente ou funcionário da loja. Não queria incomodar ou apressar as coisas. Talvez fosse melhor sentar e aguardar que essa pessoa saísse.
- Mas querida, não foi isso que combinamos, lembra-se? Você disse que iria com seu carro e eu a encontraria lá. Talvez não tenhamos deixado as coisas bem claro -.
- Não, não, Afonso. Você sempre confunde as coisas! quantas vezes fizemos isso! sabe que eu não gosto de ir para lá dirigindo. Acho que você não presta atenção no que eu falo. Não é de hoje. Mas tudo bem. Passou. -
Fred sentiu seu coração bater descompassadamente. Ou ele estava muito enganado, ou Verônica estava conversando com um amigo sobre algum encontro.
- “ Não, não é possível. Não é do feitio de Verônica fazer uma coisa dessas” - pensou por um instante.
Já não sabia o que fazer. Se ia ao encontro e resolvia esse drama que se formava em sua cabeça ou se escutava um pouco mais. Quem sabe alguma frase viesse a esclarecer tudo.
Nisso fez-se um silêncio, cruel para Fred, pois começou a imaginar o pior. Talvez estivessem se beijando.
- “Por que pararam de conversar?” - sentiu suas mãos suarem. Estava de pé no meio da sala. Encostou-se na divisória, onde dá entrada para a sala de Verônica. Apontou meio rosto para dentro e lá estava ela, sentada à sua mesa e um homem na cadeira à sua frente, alisando seu cabelo.
Fred voltou rapidamente ao meio da sala. Não estava acreditando em tudo isso. Quem era esse sujeito? não se tratava de cliente, claro. Resolveu olhar de novo. Lentamente colocou um olho para dentro da sala e lá estavam os dois, de cabeça baixa. Um silêncio mórbido. Tanto para eles quanto para Fred. Voltou ao centro da sala, esfregando as mãos no rosto. Sua feição estava distorcida. Parecia o fim de tudo. Verônica pega em flagrante com um sujeito que ele nunca havia visto. Pensou em descer e ir embora.
- Fred !! Fred!! -
Seu nome ecoava em sua cabeça transtornada. Sentia as pernas bambearem, misto de tristeza, ódio, decepção. Não sabia como descrever.
Sentou-se no sofá e refletiu melhor. Não seria bom voltar para casa com isso mal resolvido. Passaria mal, ficaria com mil idéias ruins perambulando em seu pensamento. Batia freneticamente a ponta dos pés, alternadamente no chão. Suas mãos com os dedos entrelaçados, apertavam-se nervosamente.
- “Vou entrar e resolver isso de uma vez”, decidiu.
Levantou-se, respirou fundo várias vezes, afrouxou a gravata que lhe sufocava a essa altura e entrou.
Dois passos para dentro da sala e olhou fixamente para o rosto de Verônica, com as mãos à cintura.
Ao ouvir os passos, Afonso virou-se assustado, pois não esperava alguém entrando dessa forma, sem o aviso da secretária. Verônica levantou o rosto, ainda com os pensamentos virados para seu problema com Afonso e num instante abriu um sorriso meigo.
- Oi amor! que bom que você veio! - levantando-se e indo ao encontro dele.
Fred não estava entendendo mais nada. Para um flagrante dessa proporção, ela estava bem demais. Não acreditava que ela poderia ser tão dissimulada assim.
- Deixe-me apresentar meu irmão. Estávamos discutindo agora pouco. Coisa de família. - sorriu nervosamente e meio sem jeito.
- Mas que surpresa! por que não me avisou que viria? - abraçando-o e olhando-o em seguida nos olhos que ainda demonstravam seu estado perplexo.
- Fred!! o que houve? está suando! olhe suas mãos, sua testa! subiu correndo as escadas? - perguntou calmamente, enquanto ajeitava os cabelos de Fred que insistiam em pender à frente de seus olhos.
Fred demorou um pouco para acreditar em tudo que ela dissera, alternando seu olhar do rosto de um para outro. Afonso estava sorrindo para ele, muito tranqüilo.
- Desculpe querida. Na verdade, assustei-me com seu irmão... não estava entendendo por que alguém estaria alisando seu cabelo... desculpe. - disse baixando a cabeça, totalmente envergonhado.
- Você esteve olhando aqui dentro, às escondidas, Fred? que coisa feia! - disse sorrindo e entendendo afinal toda essa atitude estranha.
Afonso levantou-se, foi em direção a Fred, estendeu-lhe a mão e apresentou-se como Afonso, irmão mais novo de Verônica. Fred cumprimentou-o e pela primeira vez, abriu um leve sorriso. Percebeu que Afonso era bem mais jovem que ela. Sentiu um peso enorme sair de seus ombros. Sua musculatura afrouxou-se por completo, agora respirando aliviadamente e com facilidade.
- Olá Afonso. Muito prazer. Não deveria ter entrado assim, nem mesmo ter vindo sem aviso. Pensei em fazer uma surpresa a Verônica. Vim convidá-la para um jantar romântico -
- Hmmm.. nesse caso estou mesmo sobrando por aqui. Vou indo então! - disse Afonso a Verônica, com um beijo terno em sua testa, agora livre daquela tensão.
- Você tem razão, maninha. Sou um trapalhão. Mas tenho cura, sou novo ainda! - sorrindo e acenando em despedida para os dois, contornou a divisória, deixando-os à vontade.
Verônica olhou para Fred, num tom de repreensão e ao mesmo tempo expressando profundo carinho.
- Então quer dizer que achou que eu estava lhe traindo, hein querido?! - dando-lhe um abraço apertado. Fred retribuiu o gesto.
- Percebi o quanto gosto de você, Verônica. Não sabe como me senti mal ao ver Afonso lhe tocando.-
- Pois saiba que eu tenho meus princípios e jamais trairia alguém. Fique tranqüilo, meu amor! - disse-lhe olhando fundo nos olhos, que agora espelhavam tranqüilidade e afeição.
Sentaram-se num pequeno sofá ao lado da mesa e Fred propôs o jantar.
- Ainda não sei exatamente onde, mas gostaria que fosse num ambiente romântico. Sabe onde poderemos achar um assim? -
- Tem um restaurante italiano aqui perto, vou sempre lá. Vamos ter um ambiente muito aconchegante onde poderemos conversar bastante sobre várias coisas, inclusive sobre fidelidade! - piscando para Fred.
- Ótimo! e onde nos encontramos? - ainda um pouco envergonhado na cena ridícula.
- Você poderia passar aqui às 7 da noite. Vamos ao meu apartamento, tomo um banho rapidinho, me arrumo e de lá, iremos jantar. Que acha, Fred? -
- Perfeito! - apertando firmemente as mãos de Verônica, abrindo seu sorriso de sempre.
- Estranho como nossa mente trabalha, não é Verônica? Vim todo feliz, cheio de planos para um encontro romântico e de repente o mundo parece desabar numa situação dessas.-
- Falta de conhecimento, meu caro Fred!. Se me conhecesse um pouco melhor, não teria interpretado assim. Temos muito que aprender um do outro, não é?-
- Verdade. Acho que fui um tolo. Deveria ter aguardado, quieto na sala de espera. Logo as coisas tornariam-se claras. Mas deixe isso para lá. É passado. Vou indo, pois ainda tenho um cliente me aguardando -
Levantando-se juntamente com Verônica, abraçou-a fortemente e completou o encontro desastroso com um beijo romântico.





CAPÍTULO 12

2 Comments:

Blogger Mamy said...

Eita! Que cara ciumento!

24/3/06 14:56  
Anonymous Lu... said...

Desde pequeninho esse Fred é inseguro heim... quero só ver se vai melhorar com o tempo. To apostando que não - rss

25/3/06 19:54  

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