Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

9.3.06

Capítulo 009





- " Onde está meu coelhinho?! " -
- " Coelhinho, onde está você? " - pensou o pequeno Fred, olhando de um lado para o outro. Fred estava em seu quintal. Aliás, um enorme quintal. Mais um motivo para Eugênio nem pensar em mudar de casa, como sugerira Amanda. Esse quintal era um paraíso para Fred, que podia brincar e inventar suas coisas com segurança. E sossego para seus pais, que podiam se ocupar de suas tarefas, sem terem que se preocupar com o menino.
Fred olhou para cima. O enorme abacateiro, ocupava grande parte do quintal. Dava abacates de primeira qualidade. Tanto que, muitas vezes, Eugênio contratava umas pessoas da feira local, para apanharem os abacates. Eugênio vendia barato, já que não teria a menor chance de consumir tudo o que o pé produzia.
Além do abacateiro, havia também um pé de manga, daquelas bem simples e pequenas, mas muito saborosas. Nessa pequena árvore mas resistente, Fred montara com madeiras de engradados que seu pai deixava no porão, uma base entre os galhos, onde se divertia lendo suas revistas em quadrinhos. Era seu momento Tarzan.
Havia também um pé de amora, que na época de frutos, pendia seus galhos de tanto peso. Fred chegava em casa com o rosto e mãos todos pretos, de colher e comer amoras.
Mais dois pés de mamão e um de lima. Esse era o universo do pequeno Fred.
O que mais o assustava, era o mato do terreno vizinho. Sempre muito alto, guardava muitos bichos peçonhentos. Cobras e aranhas viviam passeando em sua casa, especialmente no porão, onde Fred tinha seus brinquedos. Era sempre uma aventura dobrada.
Certo dia, quando ainda não havia completado 3 anos, subiu correndo as escadas rumo a seus pais que estavam com visitas na sala. Todo alegre, contara que vira uma minhoca muito grande em cima de seu brinquedo. Seus pais se olharam e Eugênio desceu para verificar. Na verdade não era minhoca alguma e sim uma pequena falsa coral. Com um pedaço de madeira, capturou a pequena cobra e jogou-a num vidro de álcool onde se debateu até morrer. Fred ficara dias olhando aquela pequena cobra vermelha e preta em seu leito de morte. Até que começou a desbotar em função do álcool e Eugênio achou por bem jogá-la fora.
Mas voltou à lembrança, o que estava fazendo. Procurando seu coelhinho branco. Fred possuía vários coelhos. Mamãe coelha havia parido vários filhotes e estavam soltos no terreno do quintal. Até chegar ao abacateiro, era uma boa descida de terra, onde os coelhos cavavam tocas para morarem.
Fred estava andando junto ao muro, à procura de seu coelho branco. Os demais estavam dentro da toca, ele já havia conferido isso. Andava lentamente, olhando para o chão que tinha uma grama já meio alta, no ponto de ser capinada. Seus olhos estavam bem abertos. Sabia que a qualquer momento podia achar algo diferente de um coelho. Sua pulsação já estava alterada e sentia suas mãos úmidas de suor, embora não estivesse sequer fazendo sol.
Nisso escutou alguém o chamar.
- Oi Fred! tudo bem ai? -
Não parecia ser da sua mãe. Nem estava disposto a descobrir. Estava, na verdade, mais propenso a deixar o coelho à sua sorte e voltar para a área mais elevada do quintal, onde não havia perigo. De preferência voando, para não ter que pisar novamente naquela mato.
Nesses momentos os pensamentos só pesam contra. Lembrou-se do dia em que brincava na sala, sentado com seus amigos no tapete, com aqueles jogos de montar casinhas com peças de madeira. Ao lado, havia deixado uma aranha de borracha que tinha ganho de seu pai. Daquelas que tem duas presas enormes, pintadas de vermelho. Realmente, não dava para ter medo daquela caricatura de aranha. Seus pais estavam no cinema e era noite. Ao olhar para o lado, Fred notara que estranhamente sua aranha se movera. Estava se movendo lentamente, esticando uma perna para cima e depois outra... além de ser bem mais preta e cabeluda.
Num salto, com o rosto pálido, Fred e seus amiguinhos correram para o quarto de seus pais, fecharam a porta e pularam todos para dentro de seu antigo berço. Olhando por baixo da porta, que tinha pouco mais de 1cm de vão, logo perceberam algumas patas tentando passar por ali. Fred saltou do berço, abriu a janela que dava para a rua e ficou olhando atento para o fim do quarteirão, onde logo seus pais despontariam.
Nesse momento, Fred pôs-se a pensar na razão pela qual Deus havia criado um bicho desses. Não havia nada de útil naquilo. Nada de bom. Só servia para pregar sustos e morder pessoas. Lembrara então que sua mãe dissera uma vez que tudo no mundo tinha uma razão, uma finalidade. Qual seria então a da aranha? punir os pecadores? na igreja falava-se muito nisso. Mas Não se considerava um mau menino. Obedecia a seus pais e pouca coisa aprontava, que os fizessem contrariados consigo. Iria perguntar a eles, qual a função desse bicho cabeludo. Talvez ao padre também.
Uma gritaria geral dentro do berço. A aranha havia colocado três pernas por baixo da porta. Mas era grande demais o seu abdômen, de modo que não havia o perigo de invadir o quarto. Fred olhou para seus amiguinhos que se abraçavam de pés no berço, todos mirando sem piscar, para aquelas pernas cabeludas. Nisso, Fred avistara seus pais fazendo a curva no final do quarteirão. Vinham lentamente conversando, de mãos dadas. Pareciam lentos demais. Não adiantaria gritar porque não ouviriam àquela distância.
Mais gritaria. Não sabiam como, mas a aranha já havia passado quase toda para dentro. Ao ver o bicho se esforçando para passar seu grande traseiro gordo, Fred também começou a gritar, quando a luz repentinamente se apagou. Só havia gritos em todos os tons e níveis e a porta e a aranha haviam-se perdido no meio da escuridão do quarto.
- Fred!!! ....Fred!!! - seu nome agora ecoava em sua cabeça, enquanto seu corpo tremia num espasmo incontrolável. E nada de seus pais chegarem. Olhava para eles e pareciam estar tentando subir uma escada rolante que descia. Fred já não sabia o que fazer. Seus pais vinham vindo, mas o caminho parecia longo. Um quarteirão parecia uma avenida sem fim. Cada passo que davam parecia movê-los para trás. Resolveu ficar de pé na janela, não lhe ocorrendo que uma queda até a calçada iria lhe custar uns bons machucados. Fixamente olhava seus pais. Mais gritaria dos amiguinhos. Não porque vissem a aranha mas pelo que eles imaginavam que ela estivesse fazendo, já que não havia luz e nada podia ser feito a não ser imaginar. Um deles falou aos outros que se ela tivesse passado por baixo da porta, certamente estaria subindo no berço, procurando uma carne para morder. Encostaram-se todos num canto do berço. A situação estava caótica. Fred percebia isso. Seus pais estavam agora bem perto, e Fred arriscou chamar pelo pai. Um chamado acanhado que não surtiu efeito. Gritou, então. Outro grito e Eugênio acabou percebendo seu filho de pé na janela. Largou a mão de Amanda e pôs-se a andar mais rápido que ela, cada vez mais rápido, quando Fred gritou: - "aranha ! aranha! ". Foi aí que Eugênio começou a correr em direção à casa. Logo chegando, abriu a porta e já na sala, avistou a aranha com seu imenso traseiro gordo, para o lado da sala. Correu até o porão, procurou alguma coisa que pudesse puxar o animal daquele lugar. Encontrou um caça-borboletas que tinha feito com filó, para as caçadas de Fred. De volta à sala, puxou o traseiro da aranha com a borda do caçador, até ficar inteira para fora. Num instinto de defesa e agressão, ela saltou para cima, enroscando-se no filó. Estava acabada a caça.
Eugênio avisou às crianças que tudo estava sob controle e a aranha devidamente presa. Ninguém ali se atrevia a sair do berço enquanto Fred não descesse da janela. Foi então que desceu e abriu a porta numa pequena fresta, para se certificar de que tudo estava bem mesmo. Vendo a aranha se debatendo no filó, chamou os amigos para verem o tamanho do monstrinho. Um a um, foram saindo do quarto, rodeando Eugênio e o caçador, todos espantados com o tamanho daquele bicho pernudo e peludo.
- Tudo bem. Agora vou levá-la para o quintal, antes que ela se desenrosque do tecido - disse Eugênio, iniciando sua descida para o porão.
Já era tarde, e seus amigos, um a um, foram despedindo-se de Fred e de Amanda.
- Hora de dormir, Fred ! , disse Amanda, encaminhando Fred ao banheiro, para escovar os dentes.
Alguns minutos depois e estava Fred em seu quarto, agora sozinho. Ele, sua cama e o escuro. Começou a ter aqueles pensamentos horríveis. Teria que deitar-se e rezar para que não aparecesse outro bicho daqueles.
Sua cama ficava encostada à parede, numa das laterais e a cabeceira em outra parede. Mas a cabeceira da cama de Fred era feita de uma grande madeira que ficava meio palmo acima do colchão, formando um vão muito suspeito.
Fred pensou um instante antes de deitar-se e resolveu dormir ao contrário. Colocou seu travesseiro nos pés da cama, longe da parede. Faltava proteger a lateral. Havia um imenso vão entre ela e a parede. Amontoou a coberta no vão, fechando totalmente aquele espaço. Respirou fundo, deitado, olhando agora para o teto. Sua imaginação era excelente nessas horas. Começava a ver sombras pelo teto, pelas paredes. Sabia que era só imaginação, mas o incomodava bastante.
Nisso, sentiu que a coberta junto à parede se movera. Teria sido ele mesmo que puxara o tecido ou seria uma daquelas tentando passar pela barricada de panos?
Virou-se para o lado, mirando quase que sem piscar, para aquele local. Nada se movia. Mas ele viu, tinha certeza disso... ou não?! . Sua respiração já estava ofegante. Ficava realmente abalado com essas situações.
- Fred !!! está tudo bem ai? - já estava ouvindo vozes. Quis responder, mas preferiu ficar em silêncio. Sua mente não parava de pensar em hipóteses. Se fosse aranha mesmo, ele sairia correndo ou tentaria abatê-la com seu chinelo?
Fez uma concentração, uma tentativa de pôr os nervos no lugar, sabia que tudo aquilo era fruto de sua imaginação. Resolveu por fim a tudo isso. Tentar dar as costas ao problema, no exato sentido da palavra. Virou-se para o outro lado e rezou. Depois começou a lembrar das coisas que tinha programado para fazer no dia seguinte, numa válida tentativa de "mudar de assunto". Tinha que acabar seu "foguete". Fred estava construindo o "painel de controle" de seu foguete, com tomadas, interruptores de luz que Eugênio guardava no porão.
Cansado que estava com toda a aventura da noite, não tardou a cair num sono pesado.






CAPÍTULO 10



2 Comments:

Blogger Mamy said...

Hahahaha... você é muito comédia! Comentou no meu blog com outro nome e me fez pensar que era outra pessoa!

Ai! Tadinho do Fred! Na minha casa também tem aranhas e fico morrendo de medo. Dou verdadeiros ataques e todo mundo fica rindo de mim.

13/3/06 15:37  
Anonymous Bela said...

Querido, estou atrasada com a leitura, mas vou atualizar, é que estava sem micro.
Beijos

14/3/06 12:09  

Postar um comentário

<< Home