capítulo 006
Sentados à mesa da copa, Eugênio e Amanda faziam contas. As coisas não iam bem em Miracema do Norte. Portanto não iam bem também para Eugênio. Possuía um pequeno armazém de secos e molhados. Como toda cidade de interior, as pessoas compravam fiado. Possuíam cadernetas onde anotavam as compras e ao final do mês, iam ao armazém para acertar o pagamento. Diferente dos atuais supermercados, os fregueses iam ao estabelecimento de Eugênio e, do balcão de atendimento, faziam seus pedidos. Eugênio pegava cada produto, colocava em uma caixa de papelão e lançava na caderneta. Dessa forma, as pessoas compravam apenas o que pretendiam comprar. Diferentemente de hoje, onde entram no supermercado para comprar café e saem com uma cesta cheia de besteiras … e muitas vezes esquecem do café.
Amanda comentara com seu marido, que diminuíra os gastos ao máximo. Tudo que comprava era do mais barato, não importando-se mais com a marca. Limitava-se a comprar apenas o que era realmente indispensável. Discutira até a respeito da casa onde moravam. Tinha um quarto a mais que o necessário para eles. Poderiam alugar uma um pouco menor. Afinal, para o casal e o filho, bastariam dois quartos. Eugênio relutou a respeito da idéia, pois demorara anos para conseguir achar essa casa e ainda próxima ao armazém, a apenas 3 quadras de distância.
O grande problema de Eugênio era a venda a prazo. Chegava no final do mês e muitos fregueses não vinham. Estavam sem dinheiro e simplesmente desapareciam às vezes por três meses, quando surgiam com uma série de desculpas. Sem o capital, Eugênio não podia repor as mercadorias vendidas, além do que deixava de fazer algumas vendas durante esse período.
Infelizmente, teria que tomar uma providência. Acabaria com as cadernetas. Iria vender só a dinheiro. As vendas iriam diminuir sensivelmente, mas teria sempre o dinheiro para novas compras.
Enquanto os dois estudavam novas formas de contenção de despesas, seu pequeno Fred se divertia com revistas para colorir. Estudava numa escola pública não muito distante de sua casa, pela manhã. À tarde ficava em casa com seus brinquedos e livros. Já lia bem os contos que ganhara de sua avó Maria e de sua tia Célia. A cada aniversário e natal recebia de cada uma, um livro infantil. Foi pegando gosto pela leitura, dessa forma. Era pequeno mas entendia perfeitamente o que se passava em casa. Via seus pais se desdobrando para pagar as contas.
Nunca pedira um brinquedo caro no natal ou no aniversário. Mesmo assim, Eugênio se esforçava em agradá-lo.
Fred estava brincando no porão da casa. Tinha espaço de sobra para todas as suas invenções. Muitas vezes trazia amiguinhos da rua para se divertirem na rede, lerem revistas em quadrinhos, tudo o que a imaginação permitisse. Fred estava procurando sua espingardinha de brinquedo. Estava bem escuro ali, muitos brinquedos amontoados sobre as mesas. Revirava caixas a procura, quando achou o cabo da espingarda. Ao puxá-la, uma enorme aranha negra e peluda surgiu sobre o brinquedo, fazendo com que Fred pulasse para trás alucinadamente, trombando com uma outra mesa, derrubando tudo o que havia sobre ela. Gritando, saiu em disparada. Respirava com dificuldade. Parou e olhou para trás para ver se a aranha não o seguira.
Nesse momento ouviu alguém lhe chamar:
- “Fred! Você está bem? “-
Estranhou o tom de voz, pois com certeza não era de seu pai.
Seu coração ainda estava batendo muito acelerado. Sentia como se seu peito fosse explodir, ou o coração estar obstruindo sua garganta.
Já devia ser noite, pois não via mais nada. As luzes estavam apagadas com exceção de uma que parecia vir dali de perto. Resolveu então ir apalpando as paredes, tentando achar o caminho que levaria à escada. Sua mente não o ajudava. Só imaginava aquele enorme bicho com suas pernas armadas vindo lentamente em sua direção. Nisso, encontrou um pedaço de pau. Era uma vassoura. Teria então como se defender. Abaixou-se empunhando-a e aguardando o vulto aparecer na curva do corredor. Ficou ali, quieto.

5 Comments:
mininu!!
é de quinta em quinta q vc tá postando?!!?
Preciso me atualizar na história...
Acho que vou ter que imprimir pra acompanhar a história,porque quando estou lendo o atual tenho que voltar pra recordar do outro. Mas estou achando genial essa viagem, passado, presente e futuro.
Muito bom
bjus.
Estou achando o máximo!
Quanto a sua pergunta no comentário. E paixão, é amor é tudo. Se é possível ainda eu não sei, mas já foi e eu perdi de idiota.
Beeijos e obrigada pelas visitas frequentes.
Qualquer dia desses eu te convido prum cafezinho rs
Isto é algum tipo de pesquisa para sentir a aceitação do teu livro? Por que não tenta uma editora para imprimir teu livro?
resp. ao Max:
Max, esse livro vai de graça.. quer dizer, se eu conseguir soltar os fascículos patrocinados aqui na cidade, vai dar um troco bom.
Mas este não vai pra Editora. Tenho um outro com 370 pags. q acho meio diferente e merece uma tentativa de publicação sim.
abraços
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