Oi Fred !!!

Esta é a estória de um cidadão chamado Fred.
Como estou escrevendo e está apenas no começo, só sei como será o final. O meio... o meio acontece.
Pretendo colocar um novo capítulo a cada QUINTA-FEIRA.
Espero que gostem. Agradeço desde já, esse apoio carinhoso.

Para ler cada capítulo, clique no link CAPÍTULO 001, e em seguida os demais que virão.

Nome:
Local: Bragança Paulista, SP, Brazil

faço da criação, minha arte de viver.

2.2.06

capítulo 004





Paaaaai!!! “-
Fred acordou meio sonolento. Havia tirado um cochilo no sofá e Andréa o balançou segurando com as duas mãos em seus ombros.
- “Paaai, escuuuta!! “- repetiu.
- “Oi filha, diga!” -
- “Você prometeu que ia me levar para andar de bicicleta. O Sol já está fraco. Vaaaamos! “- reclamou, olhando seu pai com seriedade e repreensão.
Fred examinou seu relógio. Eram 4 e meia da tarde. Ela tinha razão. Se demorasse mais, não daria tempo mesmo de dar uma volta completa no circuito.
- “Vamos sim, querida” - levantando-se e mostrando interesse.
- “Sônia não chegou ainda? “- perguntou à Andréa, tentando colocar ordem em seus pensamentos.
- “Não, pai. Ela chega às 5. Você sabe disso. Vamos logo! “ - sentindo que seu pai estava demorando para pegar as bicicletas.
- “É verdade, é verdade. Ainda não acordei direito, querida. Vamos na garagem pegar as bicicletas.”-
- “Sua mãe já saiu?” - perguntou Fred enquanto desciam em direção à garagem.
- “Sim, foi buscar a Nana. “-
Ninguém sabia ao certo, porque Andréa chamava a sua irmã de Nana. Já a Sônia a chamava de Dréia. Ao menos fazia sentido, pensou.
Na garagem haviam 4 bicicletas. Todos costumavam ir ao parque, sempre que possível. Durante a semana, final de semana. O importante era sair um pouco de casa.
O parque ficava a menos de 1km da casa. Como moravam num bairro tranqüilo, muitas vezes iam pedalando até lá. A menos que fosse tarde demais. Nesse caso, colocavam as bicicletas na pequena caminhonete que Fred comprara para carregar algumas peças de amostra, durante suas visitas.
Dessa vez, Fred não colocou sua bermuda, pois não estava disposto a fazer exercício. Tivera um dia corrido e ainda para fazer uma das visitas, deixara o carro tão longe de seu cliente, que considerara o exercício realizado nesse dia. Mas tinha que levar Andréa. Tinha combinado com ela no dia anterior. Ela adorava pedalar e seus pais não a deixavam andar sozinha em frente de casa. Mesmo sendo relativamente seguro, tinham preocupação quanto a isso.
Fred colocou a bike na caçamba e seguiram rumo ao parque. Ao chegar na área de estacionamento, retirou-a e entregou-a à Andréa, que já saiu pedalando pela trilha que dá a volta em redor do parque. Ao lado do estacionamento, uma área com bancos de pedra e muitas árvores, permitiam que os pais e os atletas exaustos respirassem uma brisa fresca. Ali ficou Fred, contemplando a natureza e pensando um pouco em seus negócios. O parque era bem seguro, não havia perigo para Andréa.
Lembrou-se também de seu casamento com Verônica, há 9 anos. Recordou-se de quando a conheceu na loja de auto-peças. Não foi amor à primeira vista e no entanto, o envolvimento foi se consolidando, as coisas foram acontecendo naturalmente como sempre imaginava ser a forma ideal.
Tiveram poucas discussões. Poucas mesmo, reconheceu. Apesar da forma autoritária de ser, Verônica era também equilibrada. Sabia conduzir as coisas sem que houvesse contrariedades no relacionamento.
Após o casamento, ela ainda continuou como gerente da empresa até a chegada de Sônia. Daí em diante, preferiu dedicar-se ao lar e à filha, uma vez que os negócios de Fred permitiam-na abrir mão de seus rendimentos.
No início, Verônica sentiu-se um tanto perdida dentro de casa, pois após cuidar da menina, não sobrava muita coisa a ser feita. Era muito rápida nos serviços domésticos e ainda contava com uma moça, Reginalva, recém-chegada da Paraíba em busca de trabalho, que fazia os serviços de limpeza.
Todos a chamavam de Gi. Quando apareceu na casa de Fred em busca de um emprego de doméstica, Verônica quem atendeu a moça e sentindo boas vibrações, contratou-a de imediato. Ao apresentar-se com aquele nome, as meninas não sabiam como disfarçar o sorriso. Não era um nome comum na cidade, mas lá no norte, raramente tem alguém com um nome banal. Parece que todo mundo tem que ter um nome próprio, inconfundível. Fazem força para isso e nem sempre o resultado é dos mais agradáveis. Principalmente para quem o carregará para o resto da vida.
Dessa forma portanto, Verônica aproveitava os momentos de calmaria, para deitar na rede e ler. Gostava muito de contos policiais. Além do jornal, que devorava diariamente, como toda boa gerente. Não perdeu a veia empreendedora. Mantinha-se atualizada em todos os assuntos.
Mais ou menos meia hora se passou e lá estava Andréa, completando uma volta no circuito. Acenou para Fred e seguiu para a segunda e última volta.
“Linda, minha filha! “ - pensou Fred olhando com carinho paterno, sua filha seguindo pela trilha até contornar a primeira curva.
Nisso, o céu repentinamente ficou nublado. Olhou para cima e uns pingos caíram-lhe no rosto. Começou a se preocupar seriamente com Andréa que ainda demoraria alguns minutos para retornar. Olhou fixamente para a parte da trilha onde deveria aparecer sua filhota.
- “Não é melhor ir atrás dela, amor? “
Virou seu rosto para o lado contrário e Verônica estava ali, sentada.
- “Sim … sim.. Claro. “- disse calmamente sem surpresa.
Foi caminhando em direção ao ponto da trilha onde Andréa deveria aparecer a qualquer momento.
Começou a ventar bastante.
Olhou para trás e Verônica já não estava mais ali.
Apertou o passo, no sentido de encontrar sua filha mais rapidamente, antes que o céu viesse abaixo.
Pessoas que estavam no parque corriam em direção ao estacionamento, puxando seus filhos, outras carregando no colo. Pressentiam uma tempestade das boas pela expressão de seus rostos.
Finalmente lá estava Andréa, pedalando lentamente em sua direção como se o dia estivesse maravilhoso para aquele passeio tranqüilo.
- “vamos, filha! Corra! “- gritou, gesticulando para que se apressasse.
Andréa sorriu sem parecer se importar com a preocupação de seu pai.
Fred achou melhor ir ao encontro dela. Pegou-a pelos braços, levou-a ao colo e com a outra mão, puxava a bicicleta em direção ao estacionamento.
Já não havia mais ninguém no parque e o único carro que havia ali era uma caminhonete igual a sua, mas era amarela. A de Fred era cinza-chumbo.
- “mas onde foi que eu coloquei esse carro, santo Deus?! “ - esbravejou, olhando para um lado e para outro. Andréa pegou a bike e estava pedalando em círculos a poucos metros dali.
Fred apalpou seus bolsos e não havia nada. Correu então a um telefone público ali perto e ligou a cobrar para Verônica. Ela estava no banho, saíra enrolada em uma toalha para atender ao chamado. Disse a ele que ficasse calmo, em algum lugar coberto, que logo ela estaria ali para apanhá-los.
Sem alternativa, Fred chamou Andréa e ambos se instalaram num ponto de ônibus coberto, à espera de Verônica. Estava realmente exausto com tudo isso. Deitou-se no banco do ponto, que era comprido e razoavelmente confortável, abraçando sua filha pela cintura, chegando a cochilar.







CAPÍTULO 05



1 Comments:

Anonymous Cris said...

To muito interessada nisso..rs

5/2/06 21:49  

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